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Para criar um modelo de IA, você precisa primeiro planejar o que ele vai fazer e depois desenvolvê-lo. Veja a seguir um resumo das etapas gerais:
Vamos detalhar cada etapa.
Antes de partir de fato para a criação do modelo, ajuda ter uma ideia geral de para que ele vai servir. Isso vai te ajudar a montar uma lista de requisitos para o modelo, além de criar um roteiro prático de execução.
Para definir o objetivo:
Dica: Garanta que a definição do problema esteja ligada ao valor real para seus usuários ou para você mesmo.
Você precisa coletar os dados que vão formar a futura base de conhecimento do modelo. Essa etapa é absolutamente fundamental. De modo geral, ela costuma envolver o seguinte:
Agora que entendemos as etapas gerais, vamos ver um exemplo para entender como aplicá-las na prática.
Digamos que você tenha uma planilha chamada reviews.csv com duas colunas: uma para o texto da avaliação (por exemplo, "Esse celular é ótimo!") e outra para o rótulo de sentimento (por exemplo, "positivo" ou "negativo").
Esse arquivo é a sua fonte de dados. Abra o arquivo no Excel ou no Google Sheets. Se os rótulos estiverem faltando, você ou outra pessoa vai precisar passar por cada linha e atribuí-los manualmente, conforme a avaliação seja boa ou ruim. Essa é a sua etapa básica de rotulagem.
Em seguida vem o pré-processamento. Primeiro, remova qualquer linha vazia ou duplicada — a maioria das ferramentas de planilha tem uma função pronta para "Remover Duplicatas" ou filtrar células em branco. Depois, padronize o formato: por exemplo, garanta que todo o texto das avaliações esteja em letras minúsculas, para que "Ótimo" e "ótimo" sejam tratados da mesma forma. Agora você tem um dataset limpo e rotulado em formato de tabela.
Lembre-se da regra "lixo entra, lixo sai".
Por fim, divida seus dados em três partes: o conjunto de treino (para ensinar o modelo), o conjunto de validação (para ajustá-lo) e o conjunto de teste (para verificar o desempenho com dados novos).
A forma mais simples é embaralhar as linhas de forma aleatória e então copiar 70% delas para uma planilha (treino), 15% para outra (validação) e os 15% finais para uma terceira (teste).
Dica. Lembre-se da regra "lixo entra, lixo sai". A qualidade do seu modelo depende da qualidade dos dados que você usou durante o pré-treinamento.
Selecione um paradigma de aprendizado que se encaixe no seu problema:
| Tipo | O que precisa | Resultado | Casos de uso |
|---|---|---|---|
| Aprendizado Supervisionado | Dataset rotulado (entradas → saídas conhecidas) | Prever rótulos ou valores contínuos (classificação/regressão) | Detecção de spam, classificação de imagens, previsão de vendas |
| Aprendizado Não Supervisionado | Dados não rotulados (sem rótulos-alvo) | Encontrar padrões/grupos (clustering, regras de associação, detecção de anomalias) | Segmentação de clientes, detecção de anomalias, compressão de features |
| Aprendizado por Reforço | Ambiente interativo com recompensas | Aprender uma política para decisões sequenciais | Jogos (por exemplo, AlphaGo), controle de robôs, recomendação (bandits) |
Escolha um modelo que se encaixe no tipo de dado e no objetivo do seu projeto.
Dica: usar o modelo errado para a tarefa é um erro comum que deve ser evitado.
Na hora de escolher, leve em conta o suporte da comunidade, a compatibilidade de hardware e o quanto você vai conseguir trabalhar bem com cada ferramenta.
| Framework/Biblioteca | Foco | Linguagens / APIs | Pontos fortes | Observações |
|---|---|---|---|---|
| TensorFlow (com Keras) | Deep learning (larga escala) | Python, C++ (core), JavaScript | Altamente escalável para modelos e datasets grandes; muitas ferramentas de deploy (visualizações com TensorBoard, TF-Serving) | O TensorFlow 2.x integra o Keras como sua API de alto nível. Bom para produção (mobile/edge). |
| PyTorch | Deep learning (pesquisa) | Python (API torch) | Grafos dinâmicos e "pythônicos"; comunidade forte e bom suporte a GPU. Fácil de depurar. | Popular em pesquisa/visão computacional/PLN. Serving de modelos menos maduro (exige ferramentas extras). |
| scikit-learn | ML clássico (dados pequenos a médios) | Python (API sklearn) | Interface simples; muitos algoritmos prontos (árvores, SVM etc.). Não precisa de GPUs. | Melhor para dados tabulares pequenos/médios. Não foi feito para redes profundas ou big data. |
| Keras | Redes neurais de alto nível | Python (API tf.keras) | API muito concisa e fácil de aprender. Bom para prototipagem rápida. | Agora faz parte do TensorFlow (TensorFlow Keras). Oferece o mesmo desempenho do TF. |
| Hugging Face Transformers | Modelos de PLN e multimodais | Python | Modelos pré-treinados de ponta (BERT, GPT etc.) em PyTorch/TF. | Facilita tarefas de PLN; modelos grandes. |
Dica: Comece com APIs de alto nível — Keras ou Scikit-learn, antes de trabalhar com o TensorFlow ou o PyTorch, que são de nível mais baixo.
Treinar significa mostrar seus dados ao modelo para que ele possa aprender padrões e melhorar. Durante o treinamento, o modelo faz previsões, verifica o quanto errou e então se atualiza usando um algoritmo.
Você pode ajustar hiperparâmetros — configurações como a taxa de aprendizado (a velocidade com que o modelo se atualiza) e o tamanho do batch (quantos dados ele vê de uma vez). Você pode ajustá-los testando diferentes combinações manualmente e observando o que produz o melhor resultado.
Criar um novo modelo de IA é tanto uma arte quanto uma ciência!
Mas uma armadilha que você vai precisar evitar é o overfitting. O overfitting acontece quando o modelo decora os dados de treino em vez de aprender padrões gerais. Para evitar que isso aconteça, divida seus dados em conjuntos separados de treino e validação.
Uma regra simples: se o seu modelo é complexo demais e você tem poucos dados, ele provavelmente vai sofrer overfitting. Mas se o seu modelo é simples demais, ele não vai captar padrões úteis — e isso se chama underfitting.
Para ver o quão bem o seu modelo funciona, teste-o com dados que ele nunca viu antes. Escolha métricas que combinem com o seu objetivo:
Dica: Sempre avalie no conjunto de validação ou de teste — nunca nos dados de treino.
Quando o seu modelo já funciona bem nos testes, é hora de colocá-lo em uso — isso se chama deploy.
Decida onde o modelo vai rodar. Você pode rodá-lo na nuvem, nos servidores da sua empresa ou diretamente em dispositivos como celulares ou câmeras, o que chamamos de edge devices.
Isso vai determinar quão rápida a resposta precisa ser, quão privados são os dados e quanto tráfego você espera receber.
Para atender os usuários finais, você vai transformar o modelo em um serviço.
Normalmente, isso significa envolvê-lo em uma API web usando Flask ou FastAPI, ou usar uma ferramenta como o TensorFlow Serving ou o TorchServe. Para garantir que ele rode da mesma forma em qualquer lugar, você pode empacotar o serviço usando containers Docker e usar o Kubernetes se precisar escalar para muitos usuários.
Depois que o modelo for implantado, conecte-o aos seus sistemas existentes: sites ou aplicativos. É ali que os usuários reais vão interagir com ele. Antes de lançar para todo mundo, é sempre uma boa ideia rodar alguns testes de integração. Essa é uma forma de verificar se o modelo funciona com outros sistemas. Testes de carga também são úteis — para ver como ele lida com muitos usuários ao mesmo tempo.
Por último, mas não menos importante, você precisa monitorar como o modelo se comporta no mundo real. Acompanhe a acurácia e as taxas de erro. Fique de olho também no data drift — quando o tipo de entrada que o modelo recebe começa a mudar ao longo do tempo. Isso pode quebrar o seu modelo aos poucos se ele não for retreinado.
Criar um novo modelo do zero não é fácil, e tudo o que conseguimos fazer neste artigo é dar uma ideia geral das etapas envolvidas. Felizmente, há uma forma de continuar aprendendo — faça perguntas à IA e receba orientação passo a passo e até código funcional.
Ficou com alguma dúvida? Acesse a Overchat AI, pergunte ao nosso chatbot gratuito e construa o modelo junto com ela.
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