Resumo
- O conceito de inteligência artificial tomou forma em 1943, quando McCulloch e Pitts propuseram que redes de neurônios artificiais poderiam executar funções lógicas.
- O artigo de Alan Turing de 1950, "Computing Machinery and Intelligence", apresentou o Teste de Turing como uma forma de medir a inteligência das máquinas.
- O termo "inteligência artificial" foi cunhado em 1955 por John McCarthy, em uma proposta para o que viria a ser o workshop de Dartmouth.
- O Dartmouth Summer Research Project, de 1956, é amplamente considerado o nascimento da IA como campo de estudo — organizado por McCarthy, Minsky, Shannon e Rochester, e com participantes como Newell, Simon e Samuel.
- Os principais programas dos primeiros anos: o Logic Theorist (1956, que provou 38 dos 52 teoremas do Principia Mathematica), o programa de damas de Samuel (que abriu caminho para o aprendizado de máquina), o Perceptron de Rosenblatt (1957, um dos primeiros sistemas de reconhecimento de padrões) e o LISP (1958, a linguagem por trás de boa parte das primeiras pesquisas em IA).
- Os anos 1960 levaram a IA para dentro das universidades — o AI Lab do MIT, em 1959, e o SAIL, de Stanford, em 1962.
- Projetos marcantes dos anos 1960: o DENDRAL (1965, o primeiro sistema especialista, que analisava estruturas moleculares), o ELIZA (1966, um dos primeiros chatbots, que simulava um terapeuta) e o Shakey, o Robô (1966–1972, o primeiro robô móvel capaz de raciocinar sobre as próprias ações).
- No fim dos anos 1960, a IA já havia se tornado um campo de pesquisa ativo, com sua primeira conferência internacional (IJCAI) realizada em 1969 e um forte aporte de recursos da ARPA.
A inteligência artificial, enquanto conceito, tomou forma em 1943, quando os neurocientistas Warren McCulloch e Walter Pitts propuseram que redes de neurônios artificiais poderiam executar funções lógicas.
Se você tem curiosidade sobre a história da IA, está no lugar certo. Neste artigo, vamos mergulhar fundo na história da inteligência artificial e descobrir quando e como ela foi criada.
Anos 1950: quando surgiram as primeiras bases conceituais da inteligência artificial
Em 1950, o matemático britânico Alan Turing publicou "Computing Machinery and Intelligence", um artigo histórico que fazia a pergunta "As máquinas podem pensar?". Turing descreveu um teste (mais tarde conhecido como Teste de Turing) para avaliar a inteligência de uma máquina pela sua capacidade de manter uma conversa semelhante à humana.
O termo "inteligência artificial" propriamente dito foi usado pela primeira vez em 1955 por John McCarthy, um jovem professor da Dartmouth College. Junto com os colegas Marvin Minsky, Claude Shannon e Nathaniel Rochester, McCarthy redigiu uma proposta para um workshop de pesquisa de verão que iria explorar como as máquinas poderiam simular a inteligência humana.
Essa proposta de 1955 imaginava um "estudo de 2 meses, com 10 pessoas, sobre inteligência artificial" e conjecturava que "todo aspecto do aprendizado ou qualquer outra característica da inteligência pode, em princípio, ser descrito com tamanha precisão que uma máquina possa ser feita para simulá-lo".
1956: a Conferência de Dartmouth e a IA como campo de estudo
O Dartmouth Summer Research Project é um evento amplamente considerado o nascimento da inteligência artificial como campo de estudo.
Organizado por John McCarthy (Dartmouth), Marvin Minsky (Harvard), Claude Shannon (Bell Labs) e Nathaniel Rochester (IBM), esse workshop reuniu cerca de uma dezena de cientistas pioneiros para discutir e programar máquinas inteligentes.
O objetivo do encontro era traçar caminhos para fazer as máquinas "usarem a linguagem, formarem abstrações e conceitos, [e] resolverem tipos de problemas hoje reservados aos seres humanos".
Embora nenhuma "máquina pensante" tenha surgido naquele verão, a conferência de Dartmouth consolidou a IA como um campo acadêmico. Entre os participantes de Dartmouth (que viriam a se tornar referências na área) estavam McCarthy, Minsky, Allen Newell, Herbert Simon, Arthur Samuel, Oliver Selfridge e outros.
1956–1958: os primeiros programas de IA
Depois de Dartmouth, os pesquisadores criaram vários programas para demonstrar a inteligência das máquinas:
- Logic Theorist (1956): um programa de Allen Newell e Herbert A. Simon (com Cliff Shaw) capaz de provar teoremas matemáticos. Ele conseguiu provar 38 dos 52 teoremas do Principia Mathematica, em alguns casos encontrando novas demonstrações.
- Programa de damas de Samuel (1952–1956): desenvolvido por Arthur Samuel na IBM, esse programa de damas foi um experimento pioneiro em aprendizado de máquina. O programa de Samuel jogava damas e melhorava o próprio desempenho ao longo do tempo, aprendendo com a experiência. Por volta de 1955–1956, já jogava em um nível competitivo.
- Perceptron de Rosenblatt (1957): o perceptron era um dispositivo eletrônico que aprendia a reconhecer padrões simples (como formas) por tentativa e erro, ajustando os pesos das conexões com base no retorno recebido. Ele mostrou que as máquinas podiam aprender a classificar informações de um modo vagamente inspirado nos neurônios do cérebro.
- Linguagem de programação LISP (1958): para dar suporte à pesquisa em IA, John McCarthy criou o LISP (LISt Processing) em 1958, uma linguagem de programação de alto nível para computação simbólica, que permitia aos programas manipular símbolos e listas. Muitos dos primeiros programas de IA (incluindo as próprias pesquisas de McCarthy sobre raciocínio de senso comum) foram escritos em Lisp.
Anos 1960: a expansão da pesquisa em IA
No início dos anos 1960, a inteligência artificial já estava firmemente estabelecida em universidades e institutos de pesquisa. Em 1959, McCarthy e Minsky fundaram o MIT AI Lab — esse foi o ponto de partida para uma pesquisa em IA coordenada no MIT.
McCarthy então se mudou para Stanford e, em 1962, fundou o Stanford Artificial Intelligence Lab (SAIL), ajudando a transformar a IA em uma disciplina acadêmica plena na Costa Oeste.
Ao longo dos anos 1960, surgiram vários projetos de IA notáveis:
- DENDRAL (1965): o primeiro sistema especialista, desenvolvido na Universidade de Stanford por Edward Feigenbaum, Bruce Buchanan, Joshua Lederberg e colegas. O DENDRAL foi projetado para ajudar químicos orgânicos, analisando dados de espectrometria de massa para deduzir estruturas moleculares. O sucesso do DENDRAL mostrou que a IA podia replicar habilidades especializadas de resolução de problemas.
- ELIZA (1966): um dos primeiros chatbots, desenvolvido no MIT por Joseph Weizenbaum. Ele simulava um psicoterapeuta reformulando o que o usuário dizia e conseguia manter uma conversa simples.
- Shakey, o Robô (1966–1972): esse projeto do Stanford Research Institute (SRI), liderado por Charles Rosen, Nilsson e outros, foi o primeiro robô móvel a raciocinar sobre as próprias ações. O Shakey conseguia navegar por uma sala, perceber objetos, planejar ações simples e executá-las (por exemplo, avançar e empurrar um bloco).
Conclusão
No fim dos anos 1960, a IA já havia se tornado um campo de pesquisa ativo, com uma comunidade crescente de pesquisadores e conferências e publicações regulares.
A primeira International Joint Conference on Artificial Intelligence (IJCAI), por exemplo, aconteceu em 1969 e reuniu pesquisadores de IA do mundo inteiro. As universidades criaram programas de pesquisa em IA, e o financiamento de agências como a ARPA, nos Estados Unidos, passou a irrigar esses projetos.
O termo "IA" em si foi cunhado em 1955, mas foram esses anos de formação, ao longo da década de 1960, que deram origem às ideias e aos sistemas fundamentais sobre os quais chatbots modernos como o ChatGPT funcionam.

